domingo, 1 de junho de 2008

Vestido Branco


Até pouco tempo era virgem, frequentava igreja, amava João Augusto, sonhava casar de branco, gostava do barulho da chuva.

Não sei o que aconteceu aquele dia e acho que nunca vou saber. Depois daquilo Ana Rosa passou a fumar e até soltou fumaça na minha cara, já não podia mais usar branco não sabia quem era João Augusto, morava agora em uma capital, e como que por prazer fazia dinheiro em diferentes camas por ai, nunca chorou depois de nenhuma relação paga na verdade não chorou mais, nenhuma vez mais e do mesmo jeito que aquele dia tirou sua juventude, levou suas lágrimas também.

Certa noite Rosa decidiu não fazer programa, resolveu ficar por ali no quarto da pensão barata que tinha escolhido pra chamar de lar, era uma noite quieta e sem estrelas tudo cheirava a margarida, chegou a pensar na mãe, no fim da noite viu que já fazia algum esforço pra trazer a mente a fisionomia dos que antes eram sua vida e mais uma vez não chorou.





PS: Dizem que ela ficou com o branco do vestido.

quinta-feira, 29 de maio de 2008


-Ela só era tudo que eu tinha.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Alice


Tudo começou no verão do ano passado, era uma tarde linda, e Alice não esperava ter nenhuma surpresa aquele dia só iria buscar exames, sentia-se saudável e nada de fato a perturbava.

Já na
clínica Alice só queria voltar para brincar com o neto, em uma daquelas cadeiras acolchoada esperava impacientemente pelo seu diagnóstico, alguns pensamentos vieram a sua cabeça nada de muito importante, viu muitas pessoas desesperadas após pegarem seus respectivos exames, isso a preocupou um pouco, até que chegou sua vez.

O tom do médico não era animador
afinal o tumor era evidente na mamografia era uma pequeno tumor na mama esquerda que ainda estava em fase inicial o que indicava uma boa coisa ou um sinal de esperança.

Alice chorou calada por dias, não assimilará muito bem as coisas e tinha muito medo, por dias seu sorriso tinha acabo, por meses se sentiu morta, nem do seu jardim cuidava, não brincava mais com os netos de fato tinha morrido.


Seu estado já não é mais tão bom apoós um ano, as rugas ficaram fundas e evidentes, a quimioterapia acabará com aquele cabelo negro, estava pálida, cansada porém agora sorria, tinha um sorriso pueril e um olhar que brilhava justificando o motivo de estar viva agora, apesar da doença comê-la por dentro isso era agora sua menor preocupação.

O mal já estava por todo o corpo e pra poesia de sua vida isso não era um ponto final. Agora o que
doía não era mais o câncer mais sim o mal que tomava o sorriso de seus amados familiares e amigos, de alguma forma ela era o riso daquela gente.

Alice estava
tranquila, estava prepara para os próximos passos da vida, só não queria deixa-los sozinhos sempre foi uma boa mãe, avó, irmã, tia, tudo que ela queria era pegar o neto no colo, e ver um sorriso na cara de cada um ali naquela sala.

Ali o tempo tinha parado, ela olhava um à um lembrava da vida e seu olho brilhava era tão plena e completa nesse momento que ia fechando os olhos e sorrindo. Teve seu suspiro de felicidade.





PS: "Serás vida... bem vinda"

segunda-feira, 3 de março de 2008

Chuva Santa.


"-Vai chover de novo, deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar, e pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus, mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim, vem cá que tá me dando uma vontade de chorar, não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade

-Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem, a chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar, quem foi que te ensinou a rezar? Que santo vai brigar por você?Que povo aprova o que você fez? Devolve aquela minha tv que eu vou de vez, não há porque chorar por um amor que já morreu, deixa pra lá, eu vou, adeus. Meu coração já se cansou de falsidade."


PS: Ela disse tudo que queria, ele só não gostou de escutar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O Bom Apanhador


Era só hostilidade, nada além disso, nem uma flor em dias frios, nada eu esperaria desse amor. O beijo era bom, o toque e até o olhar... tinhamos o que dizem por ai sobre química.

Talvez existisse amor além daquela hostilidade, talvez ele fosse sozinho?

Tirava minha paz, me incomodava nas melhores horas e eu sequer sabia seu nome e mesmo assim era do meu grado, pertubava meu sono e sem dúvida era um sonho bom.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007



Não fosse dia 12 seria mais uma daquelas comuns tardes chuvosas de Novembro, em suas lembranças um amor antigo, no sorriso evidencias de um novo.

As coisas iam bem com exceção da chuva e lá estava ela pronto pra mais um dia rotineiro afinal, até esse momento, o dia não lhe reservaria muitas coisas diferentes a não ser boas lembranças daquele mesmo amor antigo.


E lá foi ela, sozinha talvez, a companhia não teria lá muita importância. Pensou por um segundo não ser um bom dia para a estrada, a chuva não dava trégua, no entanto esses pensamentos nunca mudaram final de história alguma.


Até a metade do caminho tudo bem, mal sabia ela, a chuva dessa vez iria lhe aprontar alguma coisa e não tardou acontecer, foi uma "aquaplanagem", 3 ou 4 rodopios na estrada, um tamanco preso na embreagem, uma batida no canteiro e por fim muito medo.

Talvez o tempo tivesse passado rápido demais no momento (ou em toda história) nada era fácil de se assimilar agora.

Uns acreditam ser muita água no lugar errado mas não ela prefere dizer:"- era 12 de Novembro."



P.S: E ela sorriu!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

98080844


Já não tinha mais saída, ou arrumava a mochila e ia por ai ou ..., o fato é que sabia que onde quer que eu fosse levaria a minha outra metadade, porque naquele momento metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei... E isto não deixava o convívio comigo mesmo ser ao menos suportável.


Fui por ai a mochila que não estava nas costa era um pretesto pra voltar logo, não me arriscaria em ir além dos limites da padaria, a noite era bem quente com um tom de verão, porém era inverno e tudo cheirava a enxofre o que me lembrava os livros de Stephen King. Acendi um cigarro apressei o passo e comecei a andar- com um quê de desespero- já dava pra ver a padaria alguns amigos bebiam por ali, até que eu lembrei que era sozinho e pior prisioneiro de uma metade que eu nem gostava em mim. Me motivei a passar da padaria porém não teria referencias para dizer até onde eu ia logo resolvi sentar por ali mesmo. Uma cerveja gelava não era um sonho tão distante assim.


Que garçonete gostosa, pela primeira vez as duas metades de mim haviam concordado com a mesma coisas, afinal eu sorri se isto não fosse prova de tal concordância não sei mais o que pensar, ela era linda, meiga, dona de um sorriso secreto tinha um quê de mistério. Por longas noites esse ritual de admiração iria se repetir e todo dia, a mesma menina com o mesmo sorriso vinha me servir, nessas alturas já não era a vontade de ir embora ou a cerveja que me levavam a padaria e hoje não ia ter como evitar o primeiro oi e nem o primeiro gole.


-oi, disse eu observando o ar de sua reação. garanto que fui surpreendido por um sorriso que a mim já não era mais secreto. Ali minhas metades já nem eram tão distintas assim pois ambas já não eram mais solidão, não que eu não estivesse sozinho mas um sorriso desses nas minhas condições era o mesmo que ela tivesse sentado e conversado comigo a noite toda.


De fato eu não era feio, Arriscava em dizer que estava dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade, tirando a barba por fazer e o cabelo desarrumado.


Na mesma noite do sorriso tive uma bela surpresa, um número de telefone na conta que constava 3 cervejas, 1 cigarro e uma batata enfim o telefone só podia ser dela, tinha que ser dela, talvez fosse dela. Não apareci ali por mais de 3 dias, a conta não me saia da mão e muito menos o número da cabeça: 98080844.


Não estava com os ânimos tão fortes assim para ligar, apesar da paz entre as metades não me sentia tão pronto para isso, de fato era um telefonema importante no entanto o que falar, como falar?



Tun... Tun... Tun...